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Nu com pelos.
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Andrea
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Andrea

Baobás.Aquarela.
Jan 27, 2014 / 2 notes

Baobás.
Aquarela.

Jan 20, 2014 / 1 note

T.S
Aquarela, grafiti, pastel oleoso e nanquin sobre papel canson.

Esse foi um desenho feito com muito carinho. Depois de muitos meses sem desenhar resolvi voltar, e este foi o primeiro. Foi o primeiro porque retratei uma grande amiga, que já tinha lá o seu lugar de musa guardado em umas fotos por aí e acolá… depois de tanto tempo sem desenhar queria algo que me despertasse uma vontade sincera de me debruçar sobre o papel sem pressa pra acabar. 

Mas o apreço que tenho por ela e a vontade de presenteá-la não foi minha única motivação. Em 2012 fiz, por uns seis meses, um curso de desenho. Neste curso aprendi coisas básicas porém importantes: descobri novos materiais, técnicas, me disciplinei mais. Tive também uma decepção e angústia ao longo de todo o curso. Nossas referências para as aulas eram umas revistas, majoritariamente de moda, que ficavam num grande armário, com toda a variedade de marcas, editoras, assuntos, coleções, desfiles. Sempre o mesmo esteriótipo. Colocava sobre o colo pacientemente pilhas e pilhas de revista, folheava-as em procura de uma negra, uminha, um black… enfim. Lembro-me que depois de revirar todo o armário ao longo de seis meses concluí que só havia uma revista com negras, em uma coleção áfrica sei-lá-o-quê. Uma coleção com negras, por um lado, embranquecidas em seus traços e cabelos e, por outro, ocupando o espaço do exótico na revista, em cenários que mistuaravam hiates milionários e estampas de onça. 

Acumulei do curso alguns desenhos de mulheres padronizadas como dita a estética machista, racista e homofóbica. Mulheres brancas, loiras, de cabelos lisos, traços europeizados, olhos claros. Não por vontade, mas por falta de opção. De agora em diante quero meus desenhos livres. Por isso, este desenho da Thaís, mulher, negra, jovem e lutadora, foi um ato de amizade mas também de resistência. Uma resistência individual que expressa um desejo coletivo. Pretos e pretas, nos orgulhemos das nossas origens, da nossa históra, nossa cultura. Nos orgulhemos dos cachinhos, dos blacks, da nossa cor, de todos os tons de marrom ao preto mais pretinho, somos todos lindos!